O Meu Corpo Calmo
- infosomaeser

- 11 de nov. de 2025
- 3 min de leitura
Um Baralho para Cuidar das Emoções das Crianças

Vivemos tempos em que as nossas crianças estão constantemente a serem estimuladas, pressionadas a aprender depressa e a “comportar-se bem”, mesmo quando dentro de si tudo está em turbilhão. Muitas vezes pedimos calma, foco e autocontrolo — mas esquecemo-nos de que estas competências não nascem prontas, aprendem-se. E é precisamente aqui que entra “O Meu Corpo Calmo”.
Este baralho nasceu com o propósito de ajudar as crianças, entre os 6 e os 12 anos, a conhecer o seu corpo, compreender as suas emoções e aprender a regular-se de forma saudável. É um recurso simples, bonito e profundamente transformador — porque traduz em linguagem prática a ciência da teoria polivagal, tornando-a acessível ao dia a dia de pais, educadores e terapeutas.
🌿 Quando o corpo fala antes das palavras
A teoria polivagal explica-nos que o corpo tem três grandes modos de resposta:
quando nos sentimos seguros, o corpo está tranquilo e curioso;
quando percebemos ameaça, ativamo-nos, ficamos em alerta;
e quando a ameaça é demasiado intensa, o corpo desliga-se para se proteger.
As cartas de “O Meu Corpo Calmo” foram criadas para ajudar as crianças a reconhecer esses estados e a aprender como voltar à calma e à segurança — através de gestos, respiração, imaginação e movimento.
🧠 Mais do que brincar — é aprender sobre si
Cada carta propõe uma atividade prática e uma pergunta de reflexão. São pequenos convites para as crianças explorarem o corpo, as emoções e o pensamento de forma lúdica e consciente.
Por exemplo:
💚 Em casa:
A carta “A Respiração da For” convida a família a respirar em conjunto, imaginando uma flor imaginária e expirando suavemente, combinando a imaginação e a respiração para restaurar a calma. Em poucos minutos, a energia muda — há mais riso, menos tensão. No final, basta perguntar:
“Que flor escolheste? Como te sentes agora?”
🧡 Na escola:
Com a carta “O Pulinho do Coelho”, o educador propõe à criança saltos curtos e suaves como se fosse um coelho. Saltar aumenta o ritmo e desperta a energia positiva. Em vez de repreender a agitação, o adulto canaliza a energia, transformando-a em foco e bem-estar.
💞 A importância de co-regular antes de auto-regular
O baralho não serve para “controlar” as emoções da criança, mas para as reconhecer e acolher. Antes de conseguir acalmar-se sozinha, a criança precisa de sentir-se segura junto de um adulto calmo e disponível. Cada carta é, portanto, uma oportunidade de relação e vínculo, uma ponte entre o mundo interno da criança e o olhar compreensivo do adulto.
🌈 Como usar o baralho
De forma livre: deixar que a criança escolha uma carta que “chame por ela”.
Com intenção: escolher um tema a trabalhar (calma, energia, segurança).
Em grupo: partilhar sensações e estratégias, aprendendo uns com os outros.
Na rotina: usar uma carta por dia ou por semana, como ritual de conexão.
O importante é não apressar. O corpo precisa de tempo para aprender novas formas de se sentir seguro.
🌟 Um convite à presença
“O Meu Corpo Calmo” não é apenas um conjunto de cartas — é uma forma de ensinar o corpo e o coração a trabalharem juntos. É um convite a abrandar, a escutar e a valorizar os pequenos gestos que devolvem paz. Porque uma criança emocionalmente regulada é uma criança mais disponível para aprender, relacionar-se e crescer.
E talvez, ao praticar com elas, também nós — adultos — possamos descobrir o caminho de volta ao nosso próprio corpo calmo.
Deixo-vos a convite para experimentarem e deixarem os vossos comentários para mais informações.

Ana Paulico
(Especialista em Psicologia Clínica e da Saúde)




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